quinta-feira, 18 de julho de 2013

Depoimento do pai Murilo, na expectativa pelo dia da ativação



MUDAR PRA QUÊ ?
Há aproximadamente 10 anos senti na pele a sensação da morte, um acidente de moto onde eu (pedestre) e o piloto da moto, ambos em estado alcoólico, tivemos um encontro nenhum pouco interessante. Foi 1 mês de cadeira de roda, 1 mês de muleta,  4 meses de fisioterapia, 02 cirurgias, uma hemorragia nesse período que foi o momento mais preocupante para mim e um atraso de vida de mais de 5 anos. Durante esse período sempre me perguntei por qual motivo eu havia sobrevivido aquele acidente, passei por momentos complicados na vida sem expectativas, sem motivação e sem ter para onde me orientar.
As surpresas que nos aparecem podem durar anos e causar uma impressão de que nunca vai mudar, atitude foi a palavra que usei para mudar minha vida, uma atitude pequena, mas suficiente para realizar as mudanças que eu precisava. Elas vieram, profissionalmente e pessoalmente, esta última mais impactante, uma noticia inesperada num fim de tarde, um susto e uma reação nada agradável e a percepção de que viria mais uma mudança grande na minha vida.
Após 9 meses de ansiedade: a realidade! Uma paz tomou conta de mim naquela noite uma felicidade que jamais achei que ia ter igual e a certeza de que tudo ia mudar novamente. Tudo mudou mesmo, a mudança de casa, uma nova família as responsabilidades aumentando e o cuidado a mais, fim dos orgulhos, hipocrisias e lamentações.
Desde então tudo ia bem, 1 mês de muito cuidado até que veio a notícia. Ela veio com o silêncio, mas gritava em meus ouvidos, mais uma vez os “porquês” me perseguiam e não querer acreditar no que acontecia era mais forte, fechar os olhos e não enxergar o problema seria uma solução, mas omissão nunca fez parte do meu caráter, então o que deveria ser feito era enfrentar o problema.
Família, amigos e profissionais sempre foram um apoio importante, alguns quase nos levaram a tomar decisões erradas, mas a fé de que estava fazendo a coisa certa sempre falou mais alto.
Hoje estou prestes a viver o momento mais feliz da minha vida, uma ansiedade imensa, a sensação de dever cumprido e a certeza de saber por que realmente sobrevivi aquele acidente há 10 anos. Só me resta agradecer tudo que vivi e continuar a agradecer a tudo que vou viver, agradecer a minha família, a de sempre e a de hoje, meus amigos, os de sempre e os de hoje, a todos os profissionais que nos orientaram e se dedicaram para tudo dar certo e principalmente a Deus que me deu essa missão.
  

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