domingo, 10 de fevereiro de 2013

Meu filho é normal

Ainda na maternidade, aos cuidados de enfermeiras, vovó e titias, meu bebê era tranquilo, quietinho, mas quando chorava, com certeza, era o choro mais alto de todo o andar. Um choro estridente, como um grito. Eu disse logo, ele não chora, ele grita. Que pulmão forte! Mas achei estranho.
Em casa, depois da recepção preparada pelo papai durante toda uma madrugada, onde ele apresentou as fotos de todas as pessoas da família para o primeiro filho e já aos meus cuidados, os choros gritantes continuavam. Chorava pouco, mas quando chorava... doía os ouvidos. Muito estranho. Eu nem queria desconfiar de nada errado, mas já começava a supor alguns motivos para aqueles gritos. Ele também não acordava com barulhos fortes, não tomava sustinhos com vozes repentinas. Em maio mesmo marcamos o teste da orelhinha.

Chegado o dia do teste da orelhinha, quase não foi surpresa pra mim, o resultado do teste deu negativo, ou melhor ausência de audição, pré-diagnóstico de surdez profunda. O mundo desabou na minha cabeça. Não havia nenhum motivo, não tive nenhuma doença na gravidez, não existe nenhum caso na família... Primeiro chorei, chorei muito, meio contida, recebendo consolo e força da fono. Na conversa com o médico tive esperanças de que fosse apenas uma obstrução por líquido amniótico. Começou assim a busca por respostas, por exames e as orações da família para que não fosse realmente surdez.

Que choque eu, mãe, levei quando soube do diagnóstico de surdez, mesmo que ainda não concluído. Foi como se eu tivesse esperado um bebê e de repente estava com outro nos braços. Era o mesmo bebê lindo, saudável, se desenvolvendo muito bem, mas na minha cabeça tudo parecia diferente. É muito difícil aceitar que eu gerei um filho com algum tipo de deficiência. Deficiência minha, então! Quando acontece com os outros, tenho a tendência a procurar formas positivas de ajudar a encarar os problemas, mas comigo isso não tá funcionando muito. Não rejeitei meu filho, de jeito nenhum. Continuo sendo dedicada, amorosa e talvez até muito mais cuidadosa do que sempre fui. Mas dentro de mim não encontro aceitação. Encontro consolo quando penso que poderia ser algo pior como doença grave... mas graças a Deus não é e sei que ele poderá ter uma vida normal. Meu filho é normal, lindo, sorridente, alegre e tranquilo e nós, pais e família, vamos fazer tudo que nos for possível fazer para ajudá-lo a ter uma vida normal e feliz.
1º São João - junho 2012 - 1 mês

2 comentários:

  1. Engraçado, Mirella, que há muito tempo atrás, bem antes do Guilherme vir, eu pensava em ter um filho deficiente, quer dizer, deficiente não, "surdo-mudo", eu achava maravilhoso a ideia de poder aprender com essa criança, coisas do mundo dele, como viver na limitação dele, a linguagem dos sinais, etc.. enfim, achava q era uma grande missão, um poder que Deus só dá pra aquela mãe "poderosa" mesmo!!! Portanto, quero deixar aqui os meus consolos pra essa situação, ao mesmo tempo dar os parabéns porque VOCE é uma mãe forte, abençoada, que Deus escolheu pra acolher, e para aprender!!! Então, agradeça!! E eu estarei sempre aqui, pro que der e vier. Um beijo nele da tia Giselle que o ama muito!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu agradeço suas palavras maninha, mas eu de forte não tenho nada... fico em frangalhos quando penso no silêncio em que ele vive!! Vivo de coração apertado... de poderosa não tenho nada mesmo!! Gostaria que Deus me fizesse forte para suportar esse pesadelo... Bjs.

      Excluir